20 de dez. de 2020
além das cordilheiras
19 de dez. de 2020
nós ao avesso
9 de dez. de 2020
o mau pedaço
Kasi com pássaro, 2018, Júlia Amaral
que nojo me dava
do amor
virando posse, das
pessoas virando cruas, do Pedro não
entendendo nada com aqueles olhos
inchados e duros,
seu amor por mim
escorria
virando
Ódio, virando
ímpeto.
[...]
que saudade de quando nada disso tinha
acontecido
de todos os segundos antes disso ter acontecido.
[...]
mas para mim era tudo tão
Tarde,
o tempo
escorria sem
sono das minhas
mãos.
Aline Bei, O peso do pássaro morto, p.54-55
3 de dez. de 2020
( d e s ) p a r ê n t e s e s
Uma espécie de perda
Usamos a dois: estações do ano, livros e uma música.
As chaves, as taças de chá, o cesto do pão, lençóis de linho e uma cama.
Um enxoval de palavras, de gestos, trazidos, utilizados, gastos.
Cumprimos o regulamento de um prédio. Dissemos. Fizemos. E estendemos sempre a mão.
Apaixonei-me por Invernos, por um septeto vienense e por Verões.
Por mapas, por um ninho de montanha, uma praia e uma cama.
Ritualizei datas, declarei promessas irrevogáveis,
idolatrei o indefinido e senti devoção perante um nada,
(– o jornal dobrado, a cinza fria, o papel com um apontamento) sem temores religiosos, pois a igreja era esta cama.
De olhar o mar nasceu a minha pintura inesgotável.
Da varanda podia saudar os povos, meus vizinhos.
Ao fogo da lareira, em segurança, o meu cabelo tinha a sua cor mais intensa.
A campainha da porta era o alarme da minha alegria.
Não te perdi a ti,
perdi o mundo.
Ingeborg Bachmann
30 de nov. de 2020
o que se faz e desfaz
30 de out. de 2020
isto e aquilo, um corpo, uma vida
29 de out. de 2020
entranha sinfonia




